10. CULTURA 9.10.13

1. O PAI DA IMAGEM PUBLICITRIA
2. A APOSTA BRASILEIRA EM FRANKFURT
3. LIVRO - ESCRITOS INDITOS DE BOB MARLEY
4. 2013, NOVA ODISSEIA NO ESPAO
5. EM CARTAZ  CINEMA - A CRISE ECONMICA EXPLICADA
6. EM CARTAZ  LIVROS - PODER DO RISO
7. EM CARTAZ  TEATRO - OS EUA DE ANTUNES
8. EM CARTAZ  FOTOGRAFIA - SENSUALIDADE E COR
9. EM CARTAZ  MSICA - DISCO DE PARCERIAS
10. EM CARTAZ  AGENDA - S.H.I.E.L.D./A CASA DE BERNARDA ALBA/A OUTRA CIDADE

1. O PAI DA IMAGEM PUBLICITRIA
Mostra de Ren Magritte em Nova York prova que o gnio do surrealismo influenciou a propaganda e antecipou a onda de truques digitais
Ivan Claudio

A s novas geraes talvez no saibam que a ma-verde usada nos anos 1960 como logo da gravadora dos Beatles no saiu da mente de John Lennon ou Paul McCartney: a marca veio de uma tela do artista surrealista belga Ren Magritte (1898-1967) chamada O Jogo da Mora. O mesmo se deu com o smbolo da rede americana CBS, copiado na dcada de 1950 do leo O Espelho Falso, que mostra um olho cuja ris reflete um cu azul entrecortado por nuvens. Amplamente surrupiada desde essa poca, a obra de Magritte foi to popularizada por artistas grficos que se tornou quase sinnimo de imagem publicitria. Basta folhear qualquer revista: sempre existir um anncio em que o objeto  venda vem embalado numa aura de mistrio e magia, procedimento que est na origem das criaes do pintor. 
 com esse estatuto de cone pop que sua produo ocupa as salas do Museum of Modern Art (MoMA), em Nova York, na exposio Magritte: The Mistery of The Ordinary, 1926-1938.  o perodo mais inventivo e experimental de sua carreira prolfica, disse  ISTO a curadora Anne Umland.

ESTRANHEZA - As obras A Condio Humana, O Tempo Paralisado e Os Amantes sintetizam o estilo de Ren Magritte (acima), que, como Charles Chaplin (abaixo), fez do chapu-coco uma de suas marcas 

No  por acaso que essa fase, que corresponde a sua produo inicial em Bruxelas e seu encontro com o grupo surrealista em Paris, rene as telas que mais influenciaram a visualidade contempornea e que, de certa forma, previram at os truques do photoshop. Entre as 80 peas da exposio aparece, por exemplo, o quadro A Condio Humana, em que uma paisagem vista da janela encerra uma tela dessa mesma paisagem, artifcio utilizado por designers grficos ao ponto de se converter em clich. Ele queria mostrar a realidade de forma incmoda e estranha e usava a metamorfose, o duplo, a repetio, o efeito especular e a ocultao, acrescenta Anne. Isso pode ser observado em outro clssico, O Tempo Paralisado, que antecipa os efeitos digitais. Para o poeta e crtico de arte Ferreira Gullar, a apropriao do seu estilo acontece pelo fato de ele usar, sob o manto surrealista, uma tcnica realista. Ou seja, Magritte reproduzia os objetos com grande fidelidade e, ao impregn-los de mistrio (como determina o ttulo da exposio), acabava por torn-los sedutores ao olhar  e  isso o que quer a publicidade. Se voc mostra o objeto envolto de magia, voc ganha o fregus, diz Gullar. 

O grande desafio da retrospectiva , portanto, mostrar que, mesmo vtima da diluio, as imagens de Magritte sobrevivem como grandes enigmas visuais. O melhor exemplo  Os Amantes, que retrata um casal se beijando sob um manto branco, para muitos uma reminiscncia da viso que teve de sua me morta  ela suicidou-se quando ele tinha 13 anos. Potentes como essa obra existem muitas outras, a maioria questionando a representao da realidade e prenunciando a arte conceitual dos dias atuais. Nosso objetivo foi tornar isso claro com telas como A Traio das Imagens. Mas ele o fez sem se afastar dos temas e estilo desenvolvidos no surrealismo, diz Anne.

Sempre enfiado em ternos pretos, Magritte fez de um adereo pessoal a sua marca: o chapu-coco. Ao contrrio de Charles Chaplin, que satirizava a burguesia com seu vagabundo de mesmos trajes (s que aos farrapos), o artista belga fazia desse tipo elegante o ser vazio e annimo das multides. Dizia que pintar era cansativo porque sempre exigia muita reflexo. No seria exagero afirmar que sua arte  puro pensamento.


2. A APOSTA BRASILEIRA EM FRANKFURT
Impulsionada por um investimento de R$ 18,9 milhes, a produo literria contempornea  o carro-chefe das editoras nacionais no ano em que a maior feira do gnero presta homenagem ao Pas
Mariana Brugger

A maior e mais importante feira literria do mundo ser verde e amarela  pela segunda vez, fato indito nos ltimos 25 anos. Como Convidado de Honra, o Brasil volta  Feira de Frankfurt, na Alemanha, 19 anos depois com um investimento grandioso, na ordem de R$ 18,9 milhes, e a proposta de inverter o jogo: passar de comprador a vendedor de direitos autorais no mercado internacional. Para isso, aposta em autores consagrados de vrias geraes, como Joo Ubaldo Ribeiro, Ana Maria Machado, Nlida Pion, Bernardo Carvalho e Luiz Ruffato e em novos nomes que despontam como promessas, a exemplo de Carol Bensimon (Sinuca Embaixo Dgua), Carola Saavedra (Flores Azuis), Daniel Galera (Barba Ensopada de Sangue) e Eduardo Spohr (A Batalha do Apocalipse). A expectativa de crescimento com a exportao de direitos autorais  da ordem de 3% a 7% nos 12 meses subsequentes  feira, disse  ISTO a presidenta da Cmara Brasileira do Livro (CBL), Karine Pansa.
 
As obras nacionais que fazem parte do evento, com abertura na quarta-feira 9, so escolhidas pelas editoras estrangeiras encarregadas da traduo. Ao todo, sero mais de 2.500 obras traduzidas ou em via de traduo de 170 editoras brasileiras. Finalmente temos algo mais forte que o Pel! Vamos mostrar uma vitrine alm das caricaturas e esteretipos, comemora a ministra da Cultura, Marta Suplicy, numa referncia ao pster do evento, que mostra o ex-jogador.

A produo jovem e a fico contempornea so apostas fortes no mercado internacional. O Ruffato, em especial, est muito querido na Alemanha neste momento, pontua Moema Salgado, coordenadora do Centro Internacional do Livro da Fundao Biblioteca Nacional. Para quem chega l, a repercusso posterior  comprovadamente positiva. Depois da feira do ano passado, Galera teve obra disputada at em leilo, conta Otvio Marques da Costa, publisher da Companhia das Letras, uma das poucas editoras brasileiras a ter estande prprio na feira.


3. LIVRO - ESCRITOS INDITOS DE BOB MARLEY
Antologia rene o pensamento religioso e filosfico do cantor de reggae, conferindo dimenso espiritual  sua obra 
Mariana Brugger

DEBAIXO DO DREADLOCK - Marley acreditava na imortalidade e na igualdade racial
 
 de se esperar que um livro com pensamentos do cantor jamaicano Bob Marley (1945-1981) fale apenas de msica e dos poderes libertadores da maconha. Afinal, sua obra sempre esteve associada ao enaltecimento da cannabis sativa. Porm, surpresa: em O Futuro  o Comeo (BestSeller), ele posa de pregador em salmos para se viver melhor, de acordo com a filosofia rastafri. A coletnea de aforismos do dolo mximo do reggae foi retirada de entrevistas, com o aval da filha mais velha dele, Cedella. Especialista na obra do reggaeman, Gerald Hausman fez a pesquisa e organizou o pequeno manual. Bob deu muitas entrevistas entre os anos 1960 e 1970 para revistas obscuras da Jamaica. Cedella sentiu a necessidade de preservar isso, disse ele  ISTO, acenando para o ineditismo do material.

Num dos trechos, Marley fala da imortalidade. A morte no existe. Deus me deu a vida. Por que tomaria de volta? Mais adiante, aposta na convivncia pacfica da espcie humana. Um rasta pode ser de qualquer nao, at mesmo de qualquer raa. Desde que o seu corao seja puro. Suas letras ganham, assim, um sentido maior. Para reproduzir os ensinamentos rastafri de Marley, Hausman catalogou durante dois anos todos os escritos colados nas paredes do The Bob Marley Museum, em Kingston, na Jamaica. H indicaes at em relao ao visual: Se voc quiser usar dreadlocks (o cabelo usado pelos cantores de reggae), isso vai lhe causar atribulaes. As pessoas no vo querer lhe dar um emprego. Mas voc sabe a diferena entre ser livre e estar na priso. 

Com palavras simples, Marley expressava seu modo de vida ligado  natureza. Meu pai era sbio para alm da educao formal, para alm da informao, elogia Cedella no prefcio. O livro conta ainda com confisses do primeiro superstar do Terceiro Mundo, que vendeu 75 milhes de discos em 20 anos de carreira e foi o terceiro artista morto que mais lucrou em 2012, segundo a revista americana Forbes. Meu nico vcio  mulher demais. Fora isso sou um santo, revelou ele, que teve 11 filhos e no viveu o suficiente para ver seis dos seus descendentes seguindo seus passos no mundo da msica.  


4. 2013, NOVA ODISSEIA NO ESPAO
Efeitos digitais de ltima gerao provocam a imerso do espectador no filme "Gravidade" e recriam nas telas a sensao de vertigem e assombro das viagens interplanetrias
Ana Weiss

A gravidade ou, melhor, a falta dela  ttulo, pretexto e desafio para filmar a mais aguardada fico cientfica do ano. Gravidade chega s telas na sexta-feira 11 com potencial para estabelecer de vez a ideia de imerso sensorial nas salas de cinema e faz isso com a melhor recriao digital do espao j apresentada e com irretocvel tratamento em trs dimenses para enganar os olhos de qualquer um. Mas  tambm uma boa histria, relato do nascimento de uma herona, a dra. Ryan Stone, engenheira que vai ao espao pela primeira vez para uma misso com o veterano Matt Kowalsky (George Clooney). Para narrar a viagem espacial, o diretor Alfonso Cuarn investiu quase cinco anos de trabalho intenso envolvendo a protagonista vivida por Sandra Bullock, que trabalhou a maior parte do tempo se movendo em cmara lenta em uma caixa preta de menos de trs metros quadrados. Foi doloroso, frustrante e solitrio, desabafou a estrela na apresentao do filme no Festival de Toronto, no Canad. A fria de Bullock contra as restries cenogrficas e a ginstica exigida para a criao da sensao antigravitacional parecem ter somado na qualidade da atuao da atriz americana: ela convence e comove na pele da mulher que se reconecta com a prpria vida ao perder a conexo com o planeta. Em uma cena de solido, a engenheira grita para as estrelas: Odeio o espao!

TRABALHO PESADO - Cenas do filme do diretor mexicano Alfonso Cuarn. Sandra Bullock  foi indicada por George Clooney (abaixo) para o papel, rejeitado por Angelina Jolie. Atores trabalharam mais por causa dos efeitos especiais 
 
No aprimoramento dos efeitos especiais, pilar do filme de US$ 100 milhes, foi exigido de fato mais trabalho do elenco, que passou parte do tempo de filmagem pendurado por cabos de ao como trapezista, lidando com objetos arremessados contra seus corpos e outros malabarismos necessrios para a aplicao posterior do 3D. Bullock, por essa razo, apelidou o diretor e seu filho Jons Cuarn, roteirista, de mexicanos loucos.

Segundo a canadense Roberta Bondar, primeira neurologista em uma misso espacial, olhar para a Terra de cima  exatamente assim 
 
O resultado  tambm um desafio para o espectador, sobretudo aquele mais afeito aos filmes em duas dimenses. Em uma tela regular de 3D, o simples uso dos culos faz sentir junto com os atores a falta de cho e a vertigem de estar enxergando de cima a curva da Terra. Em salas IMAX, provavelmente vai arrancar alguns gritos durante as sequncias de exploses, incndios e cambalhotas (muitas cambalhotas) realizadas pelos astronautas com a companhia das cmeras.
 
Os silncios prolongados e a msica de Steven Price, que alternam a viso dos astronautas e a imagem panormica do espao, embalam cenas poticas (e impressionantes) do planeta azul flutuando no espao. Quando no interrompidas por exploses, objetos voadores e lgrimas flutuantes, essas imagens remetem inevitavelmente a 2001: Uma Odisseia no Espao, longa de Stanley Kubrick feito a partir da histria de Arthur Clarke. Comparaes com o clssico que completa 45 anos de idade (e por isso volta s telas na prxima Mostra de Cinema de So Paulo) foram feitas durante as primeiras pr-estreias de Gravidade em festivais. No s pelo tema e pelo espao, a relao entre as duas produes tambm se coloca pela mudana de paradigma que ambas propem: se 2001 mudou o jeito de fazer fico cientfica, a obra de Cuarn se candidata agora a redesenhar a maneira de assistir a filmes de sci-fi. Astronautas com experincia em viagens espaciais presentes no Festival de Toronto impressionaram-se com a fidelidade da recriao das estaes espaciais, das cpsulas e da viso que se tem l de cima. Olhar para a Terra a partir do espao  exatamente assim, disse a canadense Roberta Bondar, primeira neurologista em uma misso fora do planeta na vida real.


5. EM CARTAZ  CINEMA - A CRISE ECONMICA EXPLICADA
por Ivan Claudio

H mais de 50 anos Costa-Gavras denuncia com olhar agudo grandes tropeos polticos do Ocidente. Desde Z (1969), o cineasta grego conseguiu o feito de propor um cinema engajado para o grande pblico ao tratar de questes como o nazismo, a decadncia da igreja, as ditaduras latino-americanas e a fragilidade da imprensa. Agora, em O Capital, ele retrata a fraqueza social diante do poder das corporaes. O ponto de partida  o colapso econmico de 2008, cenrio da curva ascendente do executivo Marc Tourneuil (Gad Elmaleh). Negociaes corruptas, demisses e a conduta desonesta dos operadores de fundos de investimento que protagonizaram o crack da economia do fim da dcada passada costuram a trama envolvente.
 
+5 filmes de Costa-Gavras
Desaparecido
 Denncia dos crimes da ditadura chilena numa trama que mostra a conivncia dos EUA com o governo de Pinochet
 
Amen
 As conexes entre o Vaticano e a Alemanha Nazista desnudadas por um jovem padre jesuta, papel de Mathieu Kassovitz
 
O Quarto Poder
 Dustin Hoffman interpreta um reprter que se v diante da possibilidade de retomada 
do sucesso perdido
 
Estado de Stio
 O sequestro do funcionrio Philip Santore pelo grupo uruguaio Tupamaros, guerrilheiros de extrema esquerda.
 
Z 
Sobre as perseguies promovidas pelo governo militar na Grcia no incio dos anos 1960. Com Yves Montand e Irene Papas


6. EM CARTAZ  LIVROS - PODER DO RISO
por Ivan Claudio

Mexicano radicado no Brasil, o escritor Juan Pablo Villalobos d sequncia  trilogia sobre a realidade do seu pas em Se Vivssemos em um Lugar Normal (Companhia das Letras), sobre uma numerosa famlia que se v enredada pela especulao imobiliria. No espere, contudo, uma narrativa naturalista. Com humor e sarcasmo, o autor cria uma tragicomdia delirante contada do ponto de vista de um adolescente.


7. EM CARTAZ  TEATRO - OS EUA DE ANTUNES
por Ivan Claudio

Nossa Cidade (Teatro Anchieta, So Paulo, at 8/12) tem tudo para surpreender o pblico fiel ao diretor Antunes Filho. Primeiro pelo despojamento: o dramaturgo considera essa uma das encenaes mais simples e bonitas j montadas por ele. Mas tambm pelo tema. Baseado no texto de Thornton Wilder, retrata o cotidiano da classe mdia de Grovers Corners, cidade fictcia dos EUA, no comeo do sculo 20. Com ironia, mas delicadeza, revela mazelas e a poesia nas pequenas existncias annimas, de maneira amorosa, nas palavras de Antunes Filho.  


8. EM CARTAZ  FOTOGRAFIA - SENSUALIDADE E COR
por Ivan Claudio

Cores saturadas, ngulos incomuns, sensualidade e sntese visual. As imagens criadas ao longo de trs dcadas pelo fotgrafo paulista Klaus Mitteldorf ganham megamostra em Work (Museu de Arte Brasileira da Faap, So Paulo, at 20/10). Com seleo feita pelo curador Rubens Fernandes Jr., a exposio rene 350 obras contemplando o trabalho editorial e de moda at chegar ao olhar imantado de magia prprio da visualidade fotogrfica. Dividida em sries relacionadas a ensaios, livros e exposies que marcaram a sua trajetria, a mostra no tem um carter retrospectivo e revela o seu livre trnsito na linguagem, como enfatiza Fernandes Jr. no texto de abertura do volumoso catlogo, em edio bilngue.


9. EM CARTAZ  MSICA - DISCO DE PARCERIAS
por Ivan Claudio

Egresso de uma banda de oito integrantes, Arnaldo Antunes se d bem em parcerias. Nas 15 faixas do CD Disco, despontam coautorias com Joo Donato (O Fogo), Cu e Hyldon (Trato), Caetano Veloso (Morro, Amor) e os companheiros de Os Tribalistas, Marisa Monte e Dadi Carvalho. So encontros que ampliam seu horizonte musical, avanando pela bossa e pelo funk. Ponto alto do CD, Morro, Amor  um presente ao seu timbre gutural, enfatizado nos erres do refro. Eco do rock do passado, as faixas que assina sozinho satisfazem os fs dos tempos titnicos.  


10. EM CARTAZ  AGENDA - S.H.I.E.L.D./A CASA DE BERNARDA ALBA/A OUTRA CIDADE
Conhea os destaques da semana
por Ivan Claudio

S.H.I.E.L.D.
 (Canal Sony, quinta-feira, 21h)
A primeira srie de ao da Marvel mostra a formao de uma equipe de investigadores sob o comando do agente Phil Couson
 
A CASA DE BERNARDA ALBA
 (Cultura Artstica, So Paulo, at 1/12)
Walderez de Barros interpreta a dominadora matriarca dessa pea de Federico Garca Lorca, escrita durante a ditadura de Francisco Franco
 
A OUTRA CIDADE
 (CCBB, Rio, at 10/11)
Texto e direo de Pedro Brcio sobre uma cidade litornea condenada a desaparecer e a repercusso da catstrofe sobre os seus habitantes

